Vislumbro um vulto no espelho. É o reflexo do meu ser. Todos os dias vislumbro o mesmo reflexo, no entanto nem todos os dias contemplo a mesma beleza. Certos dias contemplo uma beleza divinal, que me faz caminhar sobre a água. Outros dias sinto-me como se devesse tornar-me invisível, para que ninguém reparasse na ausência da minha beleza. Ora se nunca deixo de ser quem sou, se nunca deixo de ver com os mesmos olhos, então porque será que o meu conceito de beleza se altera consoante os dias? Sim, porque a beleza é nada mais nada menos que um conceito definido consoante o tempo em que se vive. Houve tempos em que as mulheres se escondiam sobre a sombra de um guarda-sol carregado pela sua leal criada, de modo a evitar que a sua pele fosse atingida pelos raios de sol. Isto porque nessa altura quanto mais clara fosse a sua pele, mais bonita seria a mulher. Com o passar do tempo esse conceito de beleza foi erradicado, dando lugar a um outro, a moda de quanto mais bronzeada fosse a mulher mais beleza lhe seria atribuída. Noutras comunidades a beleza da mulher deriva das marcas que lhe são gravadas no corpo, a sangue frio, é assim considerada a mais bonita a que mais marcas tem.
Isto leva-me à eterna questão: Será a beleza subjectiva? Ou um conceito universal plantado em nós pela sociedade em que estamos inseridos?
É certo que aquilo que um ser considera bonito, outro pode não o considerar, no entanto é de louvar o papel que a sociedade representa naquilo que os nossos olhos consideram "bonito".
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