sexta-feira, 30 de março de 2012

Realidade

Sendo o Homem um ser dual, é caracterizado pelo seu dualismo antropológico (a existência de um corpo e uma alma).
Uma alma jamais será escrava de um corpo, mas um corpo será sempre escravo da alma que nele se encontra. Não sendo escrava de um corpo, é no entanto sua prisioneira.
Aprisionada e acorrentada a um corpo, a alma comanda-o, e o corpo executa os seus comandos, na medida em que lhe é permitido.
A alma, constituinte do plano divino, uma vez sem corpo viveria, pensaria, sonharia, mas jamais seria capaz de executar. O corpo, é o físico da alma, é o que a faz ser parte do plano terrestre, em que nos encontramos.
Vamos agora considerar o seguinte cenário:
Relaxando o nosso corpo, fechando os olhos, libertando a mente, divagando em profundas meditações, entramos num mundo paralelo, um mundo que existe para além das limitações impostas à liberdade de um corpo existente no plano terrestre.
Começamos então a divagar num mundo "dito" imaginário, em que alma deixa de ser escrava das limitações do seu corpo, tornando-se um ser divino, capaz de tudo fazer.
Já muitas vezes ouvi dizer que um sonho é o subconsciente de um ser, que reflecte as nossas preocupações, os mais poderosos desejos, as mais profundas necessidades, os mais horripilantes medos. Mas agora vos pergunto: Será um sonho apenas isso? Não será algo maior do que isso? Isto na medida em que sendo o subconsciente da nossa mente, deveríamos apenas sonhar com aquilo que conhecemos, mas nunca vos aconteceu sonhar com alguém de quem desconhecem completamente a sua existência, ou com um lugar do qual jamais tiveram conhecimento? Pois a mim já, vezes demais do que as que vos posso contar, algo que se tornou para mim um facto horripilantemente estranho, que por sua vez despertou a curiosidade minha mente. e alertou o meu pensamento, sendo que me pergunto se a verdadeira realidade é mesmo aquela em que pensamos viver.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Uma velha alma já me constou, presa num corpo que é tão meu. Oriunda da terra, prisioneira do mar. Nunca escrava do destino, sempre escrava da minha própria mente. De olhos postos no céu, procuro o infinito, busco a perfeição. De olhos postos na terra surgem as imperfeições, injustiças e crueldades, homens vazios, sem qualquer bondade, de coração como pedra dura e intragável, com olhos vidrados, onde os homens surgem como meios para atingir fins, perdendo a noção do que é dignidade, entregam-se à escuridão, sentindo medo da própria luz, tornam-se seres humanos desumanizados.
Sem qualquer futilidade que me ofusque a personalidade, ser digno e quebrável é o que sou. Sem medo do Homem, mas com medo do que ele se pode tornar. 
Faço das minhas palavras pronuncios, na esperança de ser a luz de alguém perdido na escuridão.