domingo, 16 de dezembro de 2012


Não sou a voz da verdade, nem tento ser a voz da razão. Sou a voz de ninguém, que conta a história de alguém. Sou a voz daqueles cujas vozes são silenciadas, por alguém não querer que sejam ouvidas. Sou a voz daqueles que choram no silêncio da noite, enquanto escondem a dor na confusão do dia. Sou a voz daqueles que se escondem deles próprios. Sou a voz daqueles cuja realidade é tão dolorosa que não aguentam viver nela. Sou a voz daqueles que travam uma luta diária pela sua sobrevivência. Sou a voz daqueles cuja sociedade julga e isola, por falta de conhecimento e compreensão.

Muitos são os que nascem na luz, e alcançam a sombra. Mas poucos são os que atingem a luz, quando nascem na sombra. Muitos são os que vivem na luz, e se perdem na escuridão. Muitos são os que a vida puxa para a escuridão. Poucos são os que têm a força suficiente para se manter na luz, quando vivem rodeados de sombra.

Muitos são os que escolhem facilmente evitar, quando deveriam enfrentar. Muitos são os que escolhem esquecer, quando deveriam perdoar. Muitos são os que se limitam a sobreviver, quando deveriam de viver.

Criam-se ressentimentos, surgem traumas, instalam-se recalcamentos. Torna-se o Homem um ser desumanizado.

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